O ser humano é pródigo em destruir. Até mesmo as dádivas da natureza não escapam da ânsia do homem em quebrar tudo.
No meio em que vivemos é muito fácil perceber a ação do homem. Uma árvore com o galho quebrado, um banco de praça destruído ou mesmo uma parede pichada. Tudo isso é obra de quem não pensa no que pode provocar com ações desse tipo.
Mas, a ação mais comum dos dias de hoje é o descaso com os bens públicos e com as pessoas que deles usufruem. Quem passeia pelo Parque Juca Mulato nas manhãs de domingo em busca de paz, ar puro e um visual agradável, depara com um amontoado de lixo, garrafas quebradas e outros ‘presentes’ deixados na noite anterior.
E não é por falta de local adequado para o lixo ser depositado, mas por pura falta de educação mesmo. Às vezes a garrafa quebrada está ali, jogada no chão, bem ao lado da lixeira. Mas é mais fácil jogar no chão do que dar um passo a mais e fazer o serviço correto.
E a selvageria pode ser vista em todos os cantos da cidade. No centro os enfeites natalinos colocados nos postes do calçadão sofreram com o vandalismo, o mesmo acontecendo com o que foi colocado na entrada da cidade. A falta de educação está em toda parte.
Se cada um fizesse a sua parte, cuidasse para que o lixo fosse colocado no lugar correto e os bens públicos fossem preservados, todos nós viveríamos em um mundo bem melhor. Inclusive eles, os vândalos.
Este blog foi criado com o intuito de perpetuar minhas lembranças de um tempo que não volta mais. Humberto Butti é jornalista, palmeirense e apaixonado pela filha Mariane.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Preservar ao invés de depredar

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Volta ao mundo da bola
Trabalhar na cobertura de jogos de futebol é algo fascinante.
Ganha-se pouco, é verdade, mas em compensação o muito que se aprende, conhece e
vivencia é algo pra lá de compensador.
Apesar de fazer parte desse mundo diferenciado desde 86, quando
fui contratado por uma emissora de Mogi Mirim para os jogos do Mogi, então
recém-promovido à divisão de elite do futebol paulista, foi em 98/99 que vivi
meus melhores momentos. Integrando a equipe da extinta Rádio Chamonix, hoje
CBN-Mogi Mirim, rodei o mundo (no sentido figurado, é claro), fiz grandes
amizades, trabalhei em grandes jogos e conheci lugares inesquecíveis.
Capitaneada pelo falecido Gaspar Luiz, um idealista e maluco, no
bom sentido, a equipe reunia os melhores profissionais da região e cobria desde
jogos do Amador até final do Mundial Interclubes, no Japão. Toda quarta e
domingo, invariavelmente, meu destino era a Capital paulista para comentar
jogos do Campeonato Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil, Mercosul ou
Libertadores.
Morumbi, Palestra Itália, Canindé, Vila Belmiro, onde quer que
fosse o jogo e lá estávamos nós. Nessa ciranda atrás da bola e da informação,
conheci e trabalhei em estádios como o Pascoal Guerrero, em Cali, na Colômbia,
onde o Palmeiras fez sua primeira partida da decisão da Libertadores de 99.
Era prazeroso atuar ao lado de grandes profissionais e apaixonados
pelo rádio esportivo como o também saudoso Valentim Antonio, Batista Gabriel,
Paulo Rogério, Paulo Henrique, Léo Santos, Marcelo Moraes, Ivan Rezende, Palma
Júnior, Osvaldo Ribas e o próprio Gaspar Luiz. Sem contar profissionais como
Valter Abrucez e Beto Vilella, nomes importantes na formatação da equipe e do
projeto desenvolvido.
Foram anos de aprendizado e marcantes na minha modesta carreira,
mas também recheados de fatos e passagens curiosas, que aos poucos serão
rememorados. Como este, narrado pelo jornalista Paulo Rogério Tenório, que
trabalhava como repórter naquele jogo.
Jogavam Portuguesa Santista e Mogi Mirim no estádio Ulrico Mursa,
em Santos. A Lusinha pressionava o Mogi em busca do gol e, de repente, o
atacante surgiu à frente do goleiro Mauro e chutou forte, como dizem os
locutores, à queima-roupa. Atento a tudo o que ocorria à sua volta, Paulão
ouviu o repórter Jorginho Ferreira, da rádio Cultura, concorrente da Chamonix,
descrever o lance: “ele bateu à queima-rosca e o goleiro fez grande defesa...”.
Por sua vez, Paulão não pôde descrever o lance para a emissora que defendia.
Afinal, ninguém é de ferro e ele quase morreu de rir. Ficou para a
história e para os anais das pérolas do rádio esportivo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Os 60 anos da Clube
Cresci ouvindo rádio e acho que isso me fez ter essa vocação para
ser um profissional da voz, entre tantos outros afazeres ligados à comunicação.
Desde minha infância o rádio faz parte da minha existência.
Lembro muito bem da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, emissora em
que minha mãe ouvia as radionovelas e os programas de auditório comandados por
César de Alencar. Tal era sua afeição à emissora e sua programação que em 1965,
quando fui ao Rio pela primeira vez, minha mãe fez meu pai incluir no roteiro
uma passagem pelo programa do César de Alencar. Tinha oito anos na época e não
me lembro bem das atrações, mas o auditório e suas cadeiras ainda estão
gravados em minha memória.
Depois dessa fase veio o período em que a Rádio Bandeirantes e a
Tupi eram a bola da vez. Minha irmã mais velha era fã dos programas comandados
por Hélio Ribeiro (Bandeirantes) e Barros de Alencar (Tupi) e eu ali, sempre na
escuta.
Minha fase independente, já aos 14 anos, mudou o cardápio
radiofônico para emissoras como Excelsior, de São Paulo; Inconfidência, de Belo
Horizonte, e Mundial, do Rio. Mas ainda era pouco, precisava de mais, precisava
participar, viver esse mundo maravilhoso do rádio.
E foi aí que passei a ser fiel ao que era nosso. Descobri que
pertinho de mim havia um campo que poderia ser explorado e que bastava ter um
pouco de talento para ganhar uma oportunidade.
Era legal acordar todos os dias ouvindo o Jornal da Clube,
comandando pelo Toy Fonseca (depois descobri que ele apresentava o programa de
pijama, pois a rádio ficava embaixo da sua casa, na Campos Salles).
Um dia criei coragem e fui tentar a sorte. Sempre atento e aberto
aos novos talentos, Toy me deu uma chance no programa musical que abria a
programação da tarde. Era um programa tipo Cultura FM de Amparo, em que você
fala o nome da música, o intérprete, o autor e a hora.
Apesar de ter gostado da minha performance, não fui aprovado.
Fiquei triste, mas não desisti. Um tempo depois lá estava eu, apresentando um
programa esportivo na emissora e realizando meu sonho.
O Bola Rolando inovou, agradou os ouvintes e preencheu, de certa
forma, a lacuna deixada pela saída de Waldemar Silvestre. Foram tempos áureos
da Clube, que tinha parceria com a Globo-SP e mostrava os jogos via rede.
Em 86, no auge dessa época, uma linha 24 horas, direto do México,
colocava os ouvintes em contato com o dia-a-dia da seleção em plena Copa do
Mundo. Pena que a turma do Telê não deu no couro e caiu nas quartas-de-final
ante a França de Platini.
Vivi e aprendi muito na Clube. Aprendi o que pude colocar em
prática anos mais tarde, quando fui para a Rádio CBN, do Sistema Globo de
Rádio.
Nunca deixei de lado o aprendizado que recebi na Clube e nunca
escondi isso de ninguém. Nem mesmo quando entrava ao vivo para todo o Brasil.
Afinal, se sabia falar ‘ao vivo’ era porque tinha aprendido em algum lugar.
E, cá entre nós, quem já tinha enfrentado um Carnaval de rua em
seus áureos tempos, incluindo a sempre conturbada apuração, ou uma apuração de
eleição, não iria tremer ante qualquer entrada ao vivo para o Brasil todo.
Hoje, mais de 20 anos depois que deixei a Clube, ainda curto ter
participado de sua história. Guardo muito bem o aprendizado que tive com meus
dois primeiros e bons mestres, Toy Fonseca e José Antonio (Tuia) Pires de
Souza, além do prazer de ter trabalhado com operadores de áudio como Jorge Luiz
Bonaldo e Gracini Neto.
Ao completar 60 anos, a emissora está pronta para iniciar uma nova
era e, novamente, alcançar patamares de qualidade e audiência capazes de
inspirar a paixão pelo rádio em um sem número de jovens. Como ocorreu comigo e
com muitos outros, que abraçaram a carreira radiofônica a partir dessa
inspiração mágica que só o rádio é capaz de instigar.
Ainda sonho em devolver à Clube tudo que dela ganhei. Aplicar meus
parcos conhecimentos na formatação de um programa jornalístico aos moldes do
padrão de grandes emissoras que priorizam a informação e abrir caminho para
jovens talentos na área do jornalismo informativo.

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