Sou de um tempo em que minha cidade era pacata, provinciana e
adorável. Um tempo em que era gostoso viver, poder brincar ou conversar na rua
até tarde da noite sem correr o risco de ser atropelado por algum maluco ou
mesmo assaltado.
Sou desse tempo. Um tempo em que as pessoas
se respeitavam e tinham respeito pelas autoridades.
Os policiais, por exemplo, não precisavam
exibir armas ou ligar a sirene do veículo para serem notados. Bastava a simples
presença de um deles e a lei naturalmente se fazia.
Lembro bem que a polícia, mesmo sem o
contingente e a frota existentes na atualidade, dava conta do recado. O povo
era mais pacato, mais respeitador e mais respeitado.
O policiamento consistia em alguns
valorosos soldados como o Sargento Lima, o Simão soldado, o Tótero, o cabo Belluomini
e, salvo algum lapso de memória, um ou outro menos conhecido. Todos muito
respeitados e sabedores dos direitos e deveres de cada um.
Aquele era um tempo folclórico. Tempo em o
povo gostava de dar apelidos para tudo e para todos.
E não era diferente com a polícia. Assim
como a Banda Lira era conhecida como Furiosa, a dita cuja tinha a alcunha de
Curintiana.
Como a ronda era feita em dois carros, se
tanto, um Jeep e um Fusca. E, embora o termo fosse jocoso, a policia era
conhecida como Curintiana por causa das cores de seus carros, pintados em preto
e branco.
Se algum problema mais grave acontecia,
bastava ligar na cadeia e lá vinha a Curintiana. E era só ela apontar na
esquina para a coisa esfriar, o povo dispersar e a bagunça acabar.
Bem diferente de hoje, um tempo dominado
por debilóides que têm por hobby incrementar seus carros com um equipamento de
som capaz de derrubar um prédio.
Um tipo de gente que não respeita ninguém
e passeia pelas ruas da cidade impunes e exibindo, além da falta de respeito
para com as pessoas, um mau gosto musical terrível. Sem contar a falta de
respeito com a polícia, que nada pode fazer contra esse bando de malucos.
Fosse no meu tempo de menino magricela de
orelhas grandes, bastaria chamar a Curintiana e o problema estaria resolvido.
Que saudade daquele tempo que, infelizmente, não volta mais.
Se pudesse, com certeza, nas noites de
domingo, quando esse pessoal maluco começasse a desfilar desrespeito,
impunidade, mau gosto musical e maus hábitos na rua de casa, eu chamaria a
Curintiana e, certamente, tudo seria resolvido. Pena que não é mais assim.
Como seria bom se tudo voltasse a ser como
naqueles tempos. Como seria bom poder brincar na rua até mais tarde, ciente de
que se algo diferente ocorresse, bastaria ligar e lá vinha a Curintiana.
Um comentário:
Amigo Butti bom dia. O tempo passou e a educação mudou. Tenho tambem muita saudade desse tempo que não volta mais. Éramos felizes mas a gente não sabia. Tempo dos bailes que a gente voltava pra casa sem medo nem preocupação nas madrugadas, todos se respeitavam. BOAS LEMBRANÇAS Butti. Me enriquece o carinho, porque essa mensagem trouxe sorriso e alegria aos olhos de meu pai. Obrigada.
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