quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Um astro, um Fusca e um paletó xadrez

Sou de um tempo em que a José Bonifácio, rua central da cidade, tinha o tráfego no sentido da praça. Um tempo em que as meninas da sociedade, quando atingiam os 15 anos, participavam do tradicional Baile de Debutantes.

Um tempo em que tudo era mais romântico, mais glamouroso. Um tempo em que o Clube XV de Novembro era frequentado pela elite e nós, simples mortais, apenas ficávamos imaginando como seriam os grandes acontecimentos que lotavam o salão do clube.

Lembro bem que estávamos no final da década de 60, no ano de 69, e que as telenovelas da TV Tupi faziam sucesso. Naquela época a transmissão ainda era em preto e branco e raras eram as casas de classe média que possuíam um aparelho de TV.

Para quem pertencia às classes sociais menos favorecidas eram poucas as opções de lazer. Lembro que as noites de sábado eram preenchidas com uma sessão de cinema e, quando havia dinheiro, uma pizza no Sebastião Bar ou no Cine Bar.

Eu ainda era um menino, de 11 ou 12 anos, magricela e de orelhas grandes. Havia acabado de ingressar no ginásio e começava a dar meus passeios em companhia de amigos.

Em uma dessas noites de sábado, depois de saborear uma bela pizza no Sebastião Bar, que ficava no final da José Bonifácio, onde atualmente está o Moyses Magazine, junto com meu primo Marcos Papaléo e o amigo Antonio Carlos Crivelaro, um Fusca, último tipo, parou na esquina da Paulista e o motorista nos chamou para indagar sobre seu destino, pois estava perdido. Como eu estava mais próximo da sarjeta, debrucei na porta do carro do lado do carona e abaixei para ouvir a pergunta.

Quando olhei para o rosto do motorista vi que já o havia visto em algum lugar. Segundos depois percebi que ali, bem na minha frente, estava ninguém menos que o astro da novela das sete.

Juca de Oliveira, o galã da época, em carne e osso, estava ali, parado ao volante de seu Fusca, e precisava saber como fazia para chegar à residência do Hildebrando Banzatto. Passado o susto, ouvi a indagação e imediatamente ofereci nossos préstimos para ajudá-lo a encontrar seu destino.

Mesmo sabendo que era só ele virar para a direita e subir dois quarteirões e meio e já estaria em seu destino, fiz questão de dizer que iríamos junto para ele não se perder. Afinal, não era todo dia que um astro da TV estaria ali, na nossa frente, precisando de ajuda.

Meu primo e o Carlão se acomodaram no banco de trás, sem amassar o paletó xadrez impecável, que ali estava na espera do momento em que o galã iria vesti-lo para ser o paraninfo do Baile de Debutantes. Eu, como sabia onde ficava a casa dos Banzatto – que ficava no quarteirão de minha casa –, fui no banco da frente para indicar o caminho.

Claro que nossa aventura durou apenas dois pequenos e míseros quarteirões e não tivemos a sorte de encontrar com algum conhecido no caminho para botar banca. Mas só de estar ali, ao lado do galã da novela das sete, já havia sido para nós algo fantástico.

O tempo passou e esse detalhe de minha infância ficou guardado em um canto de meu baú de memórias, esquecido, deixado de lado pela ação do tempo. Só quando o ator, já consagrado, decidiu comprar uma propriedade rural em Itapira e passar a ser figurinha fácil nas ruas da cidade é que fui me lembrar desse fato.

Hoje, tantos anos depois, mesmo tendo a oportunidade de entrevistar e conversar com astros de TV, cantores renomados, políticos influentes e craques da bola por causa de minha profissão, entendo que aquele momento de minha infância foi muito mais importante no contexto de minha vida. Nada se compara a emoção vivida naquele momento.

Juca de Oliveira já não é o galã de antes, mas escreveu seu nome no mundo artístico como grande ator de cinema, TV e teatro. Meu primo Marcos há pelo menos 20 anos não vejo.

O Carlão Crivelaro, hoje um renomado cirurgião-dentista e articulista de mão cheia, continua sendo um bom amigo. Dia desses me lembrou desse fato em uma manhã de domingo enquanto minha filha Mariane e seu neto Rodrigo se divertiam nos brinquedos do Parque Juca Mulato.


O tempo é implacável com todos nós. Ficamos mais velhos, os cabelos, quando resistem, são pintados de cinza, o esqueleto já não suporta o peso dos anos, mas as memórias de tempos felizes permanecem em nossa mente e são reavivadas a cada oportunidade que a vida nos dá de relembrar os detalhes que construíram nossa existência.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O guardião de minha mãe

Sou de um tempo em que cada pessoa tinha seu devido valor. Não importava a importância dela para o contexto da sociedade, mas o que ela significava na vida de cada um de nós.

Várias foram as pessoas que deixaram marcas profundas em minha existência. Algumas pelos laços sanguíneos, como pai e mãe, outras por estarem presentes em diversos momentos de nossas vidas e, de uma forma ou de outra, representarem uma página em nosso livro da vida.

E é incrível como centenas de pessoas que conhecemos passam como bólidos pela nossa vida e desaparecem na poeira sem deixar rastro. De quando em quando reaparecem do nada e somem novamente num piscar de olhos.

Outras, entretanto, estão sempre ali, como parte integrante do nosso dia-a-dia. São figuras tão fáceis de se ver que quando não as vemos é como se faltasse um pedaço da gente.

Desde que nasci e, principalmente a partir de quando comecei a entender essa coisa complicada que chamamos de vida, algumas pessoas estiveram sempre ao redor, preenchendo cada momento e traçando as linhas pelas quais minha vida foi escrita. Lembro bem como se fosse hoje de tantos vizinhos que já partiram desta para a que chamamos de melhor.

E, entre tantos e tantos que se encaixam nesse contexto, há aqueles que não me saem da memória. Vira e mexe e algum reaparece como que por encanto e me fazendo lembrar de algum detalhe curioso dos tempos em que eu ainda era um menino magricela de orelhas grandes.

Coca é um desses personagens inesquecíveis. Alegre, extrovertido, bem informado e palmeirense como eu, sempre foi um companheiro de todas as horas.

Nos últimos anos de sua vida era ali no portão da minha casa que ele gostava de se sentar para ver o dia passar. Era sair de casa cedinho e lá estava ele, sentado naquele portão como se fosse um guardião de todos nós.

Minha mãe, como de costume, também se sentava naquele lugar e, invariavelmente, era com ele que batia longos papos. Uma boa piada, um fato ligado ao futebol ou qualquer que fosse o assunto, desde que não fosse política e ambos comungavam do mesmo pensamento.

A política era assunto proibido entre ambos. Afinal, Coca era totonhista ferrenho e minha mãe tinha lá seus motivos para não concordar.

Mas, tirando esse pequeno detalhe, de resto os dois eram grandes amigos, assim como eu o tinha como um daqueles amigos que se guarda para sempre na memória e no coração. Lembro bem de seu jeito de brincar com as pessoas, sem que em algum momento ofendesse ou irritasse alguém.

Não são raros os momentos em que fecho os olhos e retorno aos tempos em que a casa número 20 da Comendador João Cintra era minha moradia. Volto quase que sempre em pensamento ao local onde nasci e vivi grande parte de minha existência.

E, embora saiba que nada será como antes, deixo meus pensamentos vagarem por tudo que vivi naquele local. Em meus devaneios vejo o Coca Venturini sentado ali no portão de casa como um guardião de todos nós.

Quando retorno à realidade imediatamente lembro das palavras que eu sempre dizia para ele: “estou sempre tranquilo, pois sei que o segurança de minha mãe está sentado no seu posto”. E, por incrível que possa parecer, cerca de 15 dias depois que minha mãe partiu, meu amigo Coca, o guardião de minha mãe, também deixou seu posto, fechou seu paletó de madeira, e deve ter seguido com sua missão em um plano superior, me deixando órfão de um dos amigos mais queridos que tive.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A praça e a retreta da furiosa

Sou de um tempo em que ouvir a banda tocar na praça nas noites de domingo era o lazer preferido de quase todas as famílias. O antigo coreto da praça Bernardino de Campos ficava rodeado de pessoas para a tradicional retreta domingueira.

Naquele tempo a Banda Lira era a atração em quase todos os eventos. Fosse festa, procissão ou jogo de futebol e lá estava a corporação para dar um toque especial.

Lembro bem que, quando eu ainda era um menino magricela de orelhas grandes e o barracão onde funcionava a ferraria do Bertino começou a ser desmanchado para a construção da sede da Banda Lira no quarteirão de minha casa passei a ter um contato ainda maior com a banda. Desde pequeno eu já estava acostumado a ouvir os acordes do pistão do maestro Américo Passarella, que era vizinho de minha casa.

Mas foi a partir da mudança da sede da banda para os arredores de casa que passei a ouvir com mais frequência todos os ensaios e a admirar ainda mais aqueles senhores, que aos domingos vestiam o uniforme na cor oliva para as retretas na praça. Lembro de alguns integrantes como o Berto Pontes, o Dito Ventania, os Marcati, o Américo Levatti, o Joãozinho Brandão, os Riberti, os Bazani e tantos outros que passaram pela corporação, deram sua contribuição e foram importantes para que tantos jovens se interessassem em fazer parte da Lira.

Recordo, como se fosse hoje, dos aniversários da banda, no mês de abril, quando todos nós, vizinhos da sede, éramos convidados para a festa. Lembro da entrada da sede, antes da mesma cair durante um temporal, no início dos anos 80, com a grade cercada de pequenos arbustos antes da porta principal.

Aquele era um tempo diferente, um tempo em que as pessoas saíam de casa nas noites de domingo para ouvir a banda que a gente, carinhosamente, chamava de Furiosa. Bem diferente dos tempos atuais, a praça tinha vida, as pessoas frequentavam os bares e cinemas que a rodeavam e davam valor para tudo aquilo, pois era ali que ocorria o movimento noturno da cidade.

Como era bom acordar nos feriados em que havia procissão ou mesmo a alvorada do 13 de maio e ouvir a banda, logo no início da madrugada. Lembro que a mesma deixava a sede já executando as marchas e dobrados que ainda hoje, quando ouço, me emocionam e me remetem àquele tempo tão diferente e gostoso.

Aquele foi um tempo feliz de minha vida. Um tempo em que as pessoas davam mais valor a tudo e tinham respeito pelos seus semelhantes.

Um tempo em que não se via locais públicos destruídos pelo simples prazer de destruir, como acontece nos dias atuais. Um tempo em que as famílias podiam frequentar a praça ou o parque Juca Mulato nas noites de domingo sem o medo de serem molestadas por vândalos ou incomodadas pela selvageria que se vê pelas ruas nos dias de hoje.

Quem saía de casa para ouvir a banda tocar na praça podia ter a certeza de que conseguiria ouvir de fato, sem ser incomodado pelos carros que hoje circulam pelas ruas com o volume do som nas alturas, parecendo que o motorista deseja que todos saibam o quanto é péssimo o seu gosto musical. Quem se sentava nos bancos da praça podia fazê-lo com a certeza de que voltaria para casa feliz em ter tido a oportunidade de dar à família um pouco de lazer antes de iniciar uma nova semana de trabalho.


Pena que aquele tempo já não existe mais. Pena que ficou apenas na memória de quem viveu aquele tempo e, como eu, já com os cabelos pintados pelo tempo, sinta um pontinha de dor no peito a cada vez que recorda de tudo aquilo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Um domingo inesquecível

Sou de um tempo em que todos os garotos sonhavam em brilhar com a bola nos pés. Um tempo em que o futebol brasileiro estava em alta e ostentava com méritos o título de melhor futebol do mundo.

Vivi esse tempo e, como todo e qualquer garoto de minha época, sonhei em fazer sucesso como jogador de futebol. Claro que era apenas um sonho de menino, mas pelo menos não deixei de sonhar.

Lembro bem que naquela época o Brasil ostentava com orgulho as conquistas em três Copas. Era o ano de 1970 e eu, um menino que já deixava de ser magricela de orelhas grandes, vivi aquilo que se pode chamar de momento inesquecível.

Apesar de mirrado, eu tinha lá meus predicados como jogador de futebol. Se não era forte, pelo menos corria e era canhoto, um diferencial para os conhecedores do esporte bretão.

Lembro que fui convidado para treinar no XI de Agosto, time que mais tarde daria origem ao Itapira Atlético Clube, e que era comandado pelo Nelson Atala, homem forte do futebol local na época. Feliz e orgulhoso participava de todos os treinos físicos na quadra do Lions e dos coletivos no campo do ‘seo’ Hélio, hoje Pedro Bagini, no Centro de Lazer Hideraldo Luiz Bellini.

Um belo dia veio a recompensa para tanto esforço. O XI de Agosto faria um jogo amistoso contra o Nacional da Capital e eu estava relacionado entre os que iriam para São Paulo.

Para mim, um menino sonhador, que já havia realizado o sonho de jogar no sagrado gramado do ‘velho’ Chico Vieira, ao lado do Parque Juca Mulato e de ter disputado várias partidas no novo Chico Vieira, lá no alto da rua Duque de Caxias, que a gente chamava de ‘campo novo’ ou de ‘campão’, tal era o tamanho de seu gramado, aquela era a maior notícia de toda a minha curta existência. Claro que eu sabia que não seria um jogador de futebol profissional de sucesso, mas só de ter meu nome na lista já era uma vitória.

As noites que antecederam aquele dia 13 de setembro de 1970 foram intermináveis. Por minha cabeça passavam pensamentos que me levavam àquele campo onde eram disputados os jogos do Campeonato Dente-de-Leite, que a TV Tupi mostrava.

Só de pensar que iria pisar no gramado em que, pela TV, vi jogarem amigos como Plininho Cremasco e Ike com a camisa do meu Palmeiras, ou Luís Paulo e Dito Mário com a camisa listrada do próprio Nacional, já era um sonho. Pensar que estaria no mesmo local em que a TV Tupi, transmitia nas tardes de sábado os jogos do campeonato dente-de-leite, não me deixava dormir.

O grande dia chegou e lá fomos nós para a Capital de todos os paulistas. Eu, como fazia parte dos magrinhos, fui acomodado no carrão do Plínio Cremasco. Os maiores, ou mais bundudos, como o Neto Coloço e o Coradi, viajaram de Expresso Cristália para não ocuparem mais espaço nos dois carros que levaram o resto do pessoal.

Perdemos de 5 a 3 para o Nacional, mas apesar de jogar por oito ou 10 minutos, me senti realizado por pisar naquele gramado do estádio da Comendador Souza, que tinha por baixo uma terra preta que ficou grudada no solado de minha chuteira novinha, da marca Olé, de sola branca, que ganhei de meus pais depois de tanto pedir, em substituição à outra, conhecida como ‘cabeça de touro’, que me machucava os pés com seus pregos. Eu sabia que aquele momento ficaria marcado em minha memória e que um dia seria lembrado de uma forma ou de outra.

Depois do jogo e do lanche, uma outra surpresa nos aguardava. Da Comendador Souza fomos direto para o Morumbi ver a final do Campeonato Paulista.

Lá, naquele estádio que eu tinha visto apenas pela TV, pude ver o São Paulo bater o Corinthians por 1 a 0, gol do ponta-esquerda Paraná, e confirmar o título paulista daquele ano, conquistado no jogo anterior diante do Guarani, em Campinas. Ver craques como Sérgio, Jurandir, Forlán, Roberto Dias e Toninho Guerreiro de um lado, e Ado, Rivelino e outros craques de outro foi mais um sonho para aquele menino que não tinha por hábito ficar longe de casa.

Talvez pelos ensinamentos de meus pais e, principalmente, pela austeridade como meu pai dirigia nossa família, ter vislumbrado tantas coisas novas e vivido momentos inesquecíveis distante de casa, fez com que aquele domingo fosse mágico para mim. Foram momentos que nunca mais saíram de minha memória, apesar dos mais de 40 anos que se passaram.


O XI de Agosto acabou, mais tarde surgiu o Itapira Atlético Clube, eu nunca me transformei em um grande craque dentro de campo, mas pude gravar em minha história aquele momento mágico. Até hoje lembro de todos aqueles momentos, como se tivesse vivido tudo aquilo no dia anterior, tal a felicidade que aquele domingo me proporcionou.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Itapira do meu tempo

Sou de um tempo em que as casas eram mais simples. Um tempo em que tudo era mais simples e, por isso mesmo, tinha mais valor.

Um tempo em que as pessoas podiam caminhar nas ruas sem o perigo de serem abordadas por um assaltante. As casas comerciais daquele tempo não precisavam colocar grades nas portas para evitar os saques e roubos e havia, principalmente, mais respeito mútuo.

Lembro bem desse tempo que já vai longe. Às vezes, na tentativa de recuperar tudo aquilo que ficou lá atrás, fecho os olhos quando estou caminhando em determinadas ruas e busco lá no fundo do meu baú de memórias o que havia naquele lugar.

Procuro, sem encontrar, o Bar do Odilon, o Cine Bar, os cinemas, o Bar Central, o Itapira Bar, a loja Paulista, da Áurea Rossi, a Paulista Presentes, onde eu comprava meus cavalinhos e personagens do Forte Apache. Tento descobrir onde foram parar a loja do Lico Amâncio, a Leader de Praça, como estava escrito em sua fachada, e o Brasília Bar, a farmácia do Emílio Rovaris, a Casa Teté, a Farmácia da Fé e o bar do Sebastião Mendes.

Que bom seria poder rever tudo aquilo, caminhar pelas ruas e saber o nome de cada uma das pessoas. Poder tomar um refresco no bazar do ‘seo’ Toninho Ferreira ou sentir o aroma dos queijos importados do Buraco da Onça.

Essa busca pelo passado me leva por caminhos que trilhei na infância, quando eu era um menino magricela de orelhas grandes. Em um domingo pela manhã, depois de levar minha pequena Mariane para brincar no parque Juca Mulato, decidi dar uma volta pelos locais onde passei minha infância.

Subi pela Rui Barbosa até o Cruzeiro e desci a Bentico Pereira até dobrar a João Pereira. Ali, naquele quarteirão onde passei grande parte de minha infância, fechei os olhos para resgatar na memória a casa de meus avós paternos.

Olhei para a casa que depois pertenceu ao Décio Luchetti, fechei os olhos por uns instantes e vi aquela casa antiga de número 41, com o portãozinho na frente, a área antes da sala e o portão lateral que dava para o quintal. Por uns instantes senti algo indescritível no coração, como um aperto me espremendo por dentro.

Imediatamente abri os olhos em busca de tudo aquilo que deixei no passado, como se isso fosse possível. Triste por não ter mais tudo aquilo, mas feliz por ter tido essa impressão por segundos, retornei ao mundo presente e por mais alguns instantes pude relembrar tudo aquilo ao reencontrar a dona Alzira Paschoal, vizinha de meus avós, que até hoje reside na mesma casa.

Minha caminhada de volta para casa ficou mais leve depois desse episódio. Desci a Hortêncio Pereira da Silva ‘vendo’ tudo que antes existia naquele trecho.

Enxerguei a casa dos Pretti, os caminhões dos irmãos Pereira, o bar do Júlio Cruz com a cadeira em que meu tio Ivan costumava se sentar, o restaurante do Carlim Zacchi e a velha Igreja de Santo Antonio, com sua escadaria. Olhei para a rua da Penha e lá estavam a barbearia do Paulo Monfredini, a oficina de consertos do Piquica e o armazém do ‘seo’ Neco de Freitas, bem na esquina, onde eu ia com meu avô João Butti.

Voltei para casa feliz, como se tivesse cumprido minha missão. Relembrar tudo aquilo me deu a paz que meu coração necessitava.

E é dessa forma que me transporto para aquele tempo feliz. Sei que muitas vezes essa viagem dói no fundo da alma, mas é assim que busco tudo aquilo que ficou no passado.


É assim que resgato a Itapira do meu tempo. Um tempo feliz e que não volta nunca mais.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Brincadeira de criança

Sou de um tempo em que o ano custava a passar. Um tempo em que os dias pareciam intermináveis e não havia essa correria que vida atual impõe às pessoas.

Havia tempo para tudo. As crianças, além de frequentarem os bancos escolares, encontravam tempo para as brincadeiras saudáveis.

Lembro bem que, como se fossem as estações do ano, as brincadeiras também eram sazonais. A cada período uma delas era a preferida e todos, como se fosse uma combinação, se ocupavam daquela diversão.

Naquele tempo as brincadeiras eram bem diferentes do que se vê hoje. Sem os jogos eletrônicos, computadores ou os recursos tecnológicos da atualidade, as crianças gostavam mesmo era das brincadeiras de rua.

E eu, um menino magricela de orelhas grandes, não era diferente das outras crianças. De tempos em tempos me ocupava com um tipo de diversão para preencher meu tempo ocioso.

Além da bola, uma companheira inseparável, principalmente dos garotos, havia diferentes tipos de brincadeira. Lembro bem que agosto, por exemplo, por ser o mês de ventos, era o período em que todos gostavam de empinar pipas, ou soltar maranhão, como dizíamos naquele tempo que já vai longe.

Passava a febre das pipas e chegava a vez dos piões, das bolinhas de gude ou de colecionar figurinhas de times de futebol ou de filmes, como El Cid, por exemplo. Era um tempo muito gostoso e bem diferente.

Tenho muita saudade desse tempo e essa saudade é dolorida, pois sei que esse tempo não voltará nunca mais. Hoje, como minha pequena Mariane já entende muita coisa, busco nas fotos antigas que mostro para ela as recordações desse tempo feliz.


Não tenho mais tempo para soltar maranhão, rodar pião, jogar bolinha de gude ou colecionar figurinhas, mas sempre encontro preciosos momentos para lhe contar como era aquele tempo. Talvez seja esse o caminho que tomo a cada aperto no coração por já estar bem distante daquele tempo de brincadeiras de criança.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Para tudo que o sino está batendo

Sou de um tempo em que as pessoas respeitavam todo e qualquer sinal que pudesse estar vindo de Deus. Um tempo em que bastava o sino da igreja bater para que as pessoas imediatamente parassem de andar, conversar e ficassem imóveis, aguardando o fim do repicar do sino para se benzerem e prosseguirem com a vida.

Era um tempo diferente, as pessoas tinham na fé o alicerce para construírem suas vidas e suas famílias. Um tempo de mais respeito entre as pessoas e, principalmente, pelos mais velhos.

Lembro bem que nas noites de domingo meu pai e minha mãe levavam minha irmã mais velha e eu para um passeio na praça, que a gente chamava de jardim. Costumávamos sentar em um dos bancos para ouvir a Banda Lira, que só começava sua retreta após a missa das sete.

Durante a celebração, quem estava na praça certamente já havia ido à missa no período da manhã. Os jovens solteiros davam voltas na praça com os homens em sentido contrário das mulheres com o intuito de encontrar o par ideal para iniciar um namoro.

Eu, um menino magricela de orelhas grandes, ficava ali, sentado ao lado de meus pais vendo aquela movimentação toda na praça repleta de gente. Lembro que no momento em que o padre iniciava a consagração da eucaristia o sino da igreja começava a repicar forte.

Era o sinal para que todos parassem suas atividades. Quem estava sentado conversando ficava em pé e interrompia a conversa. Quem estava andando parava onde estava e todos se benziam e aguardavam o fim daquele som estridente do sino para reiniciar a conversa ou a caminhada.

Era como se o mundo parasse por alguns instantes para que Deus viesse para dar suas bênçãos a todos. O silêncio reinava em todos os cantos da praça e a vida só continuava depois que o sino desse o último repique.

Um gesto singular, de crença e respeito. Um gesto que, caso se repetisse nos dias de hoje, certamente seria encarado como apenas mais uma tolice de gente antiga.

Como era bom aquele tempo. Como era passear na praça, comer pipoca do ‘seo’ Parízio, ouvir a Banda Lira sob a regência do maestro Américo Passarella, ver toda a movimentação das pessoas no ir e vir pela praça à procura de um par, tomar um sorvete de massa no Bar Central e voltar para casa feliz.


Aquele era um tempo bem diferente, carregado de romantismo e respeito. Um tempo gostoso, feliz e que não volta mais, infelizmente. Restaram daquele tempo apenas as lembranças de infância, dos momentos de lazer na praça, das brincadeiras e do som estridente daquele sino batendo e avisando que era o momento do mundo parar por alguns instantes.

sábado, 23 de julho de 2011

A TV dos Secchi Franco

Sou de um tempo em que aparelho de TV era algo raro. Um tempo em que a TV era em preto e branco e eram poucas as casas que possuíam um aparelho.

Lembro bem que no quarteirão onde morava, no início da Comendador João Cintra, apenas uma casa tinha aparelho de TV. E era para lá que a criançada rumava no final da tarde, início da noite, para assistir os seriados da época.

Na casa, que na verdade era um sobrado, residia a família Secchi Franco. Lembro que era uma família excêntrica, com a velha senhora e os filhos, todos já adultos. As filhas Zoé e Zózima e os filhos Lau, João e Zito.

Era uma gente boa, que nos acolhia com paciência e deixava que todos se acomodassem no chão da sala para ver os seriados que a TV exibia. Eu, um menino magricela de orelhas grandes, entre eles, ávido por ver meus personagens preferidos na tela daquele aparelho.

A platéia era grande, vinha menino até do bairro dos Prados, com o Paulo Pedro, um garoto bom de bola que depois viraria Pedro Paulo e se tornaria jogador da Ponte Preta. Um menino bom, pobre como todos nós, mas que batalhou para vencer na vida e alcançou seu objetivo com muita luta e talento.

Naquele tempo de parcos recursos e poucas opções de lazer ver TV era a nossa diversão. Era jantar correndo e atravessar a rua até o sobrado dos Secchi Franco para pegar um bom lugar na plateia.

Na TV a gente via Vila Sésamo, os seriados americanos como Viagem ao Fundo do Mar, Túnel do Tempo, Terra de Gigantes e desenhos animados. Era um tempo gostoso, apesar das dificuldades que a vida impunha.

Lembro que um pouco mais tarde começavam as novelas da extinta TV Tupi e a gente ia embora. Afinal, já tínhamos visto nossos programas preferidos e era a hora de deixar que os donos da casa assistissem os seus programas.

Além da casa dos Secchi Franco, outra opção era a residência do Ângelo Lizzi, que morava em frente minha casa no sobrado que até hoje abriga o Cartório Civil. Lembro que foi lá que eu e minha família vimos o Santos vencer o Milan por 1 a 0 no Maracanã, com um gol de pênalti marcado pelo lateral Dalmo, na final do Mundial Interclubes em 63.

Mais tarde, quando meu pai pôde nos dar uma televisão, lembro que era da marca Colorado. Foi uma festa em nossa casa, pois afinal poderíamos ver nossos programas preferidos sem incomodar os vizinhos.

Já era um tempo em que a fábula Meu Pé de Laranja Lima, escrita por José Mauro de Vasconcellos, havia virado novela e fazia sucesso entre as crianças. Eu gostava também do seriado japonês Nacional Kid, dos desenhos animados que eram exibidos pela Record e, principalmente, do Speed Racer.

Minha mãe, que já ouvia no rádio, pela Nacional do Rio de Janeiro, enfim poderia ver a interminável O Direito de Nascer e chorar com a mamãe Dolores, vivída por Isaura Bruno, uma das personagens da telenovela. Naquela época o galã das novelas da Tupi era Juca de Oliveira, que brilhava em Nino, o Italianinho.

Que tempo bom aquele, mas que infelizmente não volta mais. Às vezes me pego pensando em tudo aquilo, em como era bom e, raras são as vezes em que não choro de tristeza por não poder recuar no tempo e voltar a ser criança.

Em poder viver tudo aquilo novamente, com a mesma intensidade que se vive quando se é criança. E, principalmente, quando se é criança e tem uma família como a que tive.


Hoje, depois de dobrar a esquina dos cinqüenta e com a bússola virada para o ocaso da vida, sinto que Deus me deu muitas coisas boas e que agora é a minha vez de retribuir isso tudo. E, graças a Ele, é o que mais tenho feito, principalmente passando para a minha pequena Mariane todos os ensinamentos que recebi quando criança.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

As vozes que saíam do rádio

Sou de um tempo em que o rádio era o melhor companheiro que se tinha. Televisão era para poucos, computador, então, só se via em filme de ficção e internet nem se cogitava.

Um tempo mais romântico, em que as pessoas tinham seus locutores e cantores favoritos e os programas prediletos. As músicas eram realmente melodias e tinham um significado real em suas letras.

Lembro bem que minha mãe tinha predileção pelos programas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Adorava o programa comandado pelo César de Alencar, um campeão de audiência e que levava em seu programa os mais famosos cantores daquela época.

Minha mãe tinha seus cantores favoritos como as irmãs Linda e Dircinha Batista, Francisco Alves, que já havia falecido, mas que continuava fazendo sucesso, Marlene, Emilinha Borba e outras famosos daquela época eram vozes constantes nas tardes de minha infância. Eu gostava de ficar ali, ao lado dela, sentado em sua cama, ouvindo aquelas pessoas que eu não conhecia, mas que preenchiam minha imaginação com suas canções.

Para aquele menino magricela de orelhas grandes ouvir rádio era deixar a mente viajar para lugares distantes e bonitos. Eu ficava ali horas e horas, vendo minha mãe fazer crochê ou tricô e ouvindo aquele som carregado de estática que saía do rádio.

Aquele era um tempo diferente. As pessoas sabiam as letras das músicas e gostavam de cantá-las.

Quando chegava o Carnaval o rádio trazia as novas marchinhas, as músicas que satirizavam personagens famosos ou até mesmo políticos, apesar da censura forte que existia. Até as crianças cantavam as músicas carnavalescas apesar de não saberem o verdadeiro significado daquilo que estavam cantarolando.

Na Rádio Clube não era diferente. Grandes vozes passaram por seus microfones e eram igualmente ouvidas em casa.

Dácio Clemente, a maior delas, era campeão de audiência em minha casa, como em toda a cidade e região. Como em casa não tinha telefone, era na do vizinho, o maestro Américo Passarella, que eu ia tentar ligar no seu programa para pedir uma música.

Lembro que primeiro se falava com a telefonista para depois ter a ligação completada. Era difícil conseguir, mas às vezes dava certo e eu voltava pra casa feliz por ter falado na rádio, pedido uma música e oferecido para minha mãe, minha irmã e para todos que estavam ouvindo.

Hoje não se vê e nem se ouve mais nada disso. Tudo ficou no passado, um passado que não volta mais, mas que está bem guardado em minha memória.

Aquilo tudo, mal sabia eu, seria a base para minha vida profissional. Foi ali que comecei a gostar de rádio, a gostar de ouvir seus comunicadores e as músicas. Por isso que acredito que tudo na vida tem seu verdadeiro significado.

Muitas vezes penso em ligar o rádio para buscar tudo aquilo de volta, mas acabo lembrando que não basta apenas ligar o aparelho, pois aquele tempo já passou e nada será igual. Aquelas vozes já se calaram, os cantores famosos já não existem mais e as músicas daquela época ficaram esquecidas no tempo ou guardadas na memória de quem viveu aquele tempo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Doce de batata-doce

Sou de um tempo em que se deixava a vasilha de leite na janela e o leiteiro enchia pela manhã. Um tempo em que não existia leite em caixinha ou de saquinho.

Um tempo em que se podia confiar no leiteiro e no padeiro com a certeza de que pela manhã tudo estaria lá, no mesmo lugar de sempre. Bem diferente de hoje, um tempo em que é bem capaz da vasilha sumir do pedaço bem antes do leiteiro dar o ar da graça.

Lembro bem que quando eu ainda era um menino magricela de orelhas grandes o leite de casa era entregue pelo Sílvio Semolini, um senhor alto, forte, do tipo bonachão, que conduzia a charrete com o tambor na parte traseira do veículo. O leite chegava às casas pela manhã, bem cedinho, naquelas garrafas de vidro de um ou meio litro.

O pão, que também era entregue em casa, vinha da padaria dos Samora, lá na avenida Rio Branco, entregue pelo Irineu Samora, um senhor magrinho, mas igualmente de boa índole. Ele parava a perua Kombi no outro lado da rua e a gente ia até lá buscar o pão e, quando minha mãe autorizava, voltava também com uma bela rosca ou um pão doce.

Era um tempo bem diferente da realidade atual. Um tempo em que os alimentos não eram acondicionados em saquinhos e encontrados nas prateleiras dos supermercados.

Mesmo porque não havia supermercados. A venda ou armazém mais perto de casa era o local indicado para a compra do arroz e do feijão, que eram pesados na balança, na frente do freguês.

O feijão e o arroz não tinham marca. Vinham direto da roça. O arroz ainda passava pela máquina de descascar, mas era colocado à venda a granel.

Lembro bem que perto de casa tinha a venda dos Tellini, na esquina onde funcionou por muito tempo a Farmácia Nossa Senhora da Penha e hoje abriga o Pastel Gigante. Um pouco mais adiante, já na rua XV, tinha a venda do Evilásio Avancini, que mais tarde pertenceu ao Bittar. Minha mãe também gostava de comprar no Sesi, que ficava na Regente Feijó e depois mudou-se lá para a Embaixador Pedro de Toledo, pertinho da avenida Rio Branco.

Carne se comprava no açougue. As peças ficavam expostas e o freguês escolhia aquela que queria e só então o açougueiro cortava ou desossava. O açougue do Mingo Bruzasco, que mais tarde foi do Nego Franceschini, no entroncamento da Comendador João Cintra com a Saldanha Marinho era o preferido de meus pais.

Frutas, ovos e verduras vinham do Mercado Municipal. O local, recheado de bancas com os mais variados produtos, ficava lotado nas manhãs de domingo.

Eu gostava muito de ir com meus pais fazer as compras naquele local. Primeiro que sempre gostei de acordar bem cedinho e, segundo, porque sempre acabava escolhendo um doce ou outra iguaria.

Lembro bem de uma passagem de minha infância que nunca mais esqueci. Um acontecimento que ficou marcado na minha memória.

Recordo que estava no mercadão com minha mãe e ela havia comprado um frango vivo em uma banca lá na parte de baixo. Pedi pra minha mãe deixar eu carregar o penoso até em casa, no que fui prontamente atendido.

Quando estávamos passando pela parte superior meus olhos avistaram uma banca de doces e, entre eles, o meu predileto: o doce de batata-doce. Pedi e minha mãe, de pronto, parou para comprar.

Quando eu estava ali, parado defronte os doces, aguardando que o dono da banca embrulhasse o meu, o frango que estava debaixo do meu braço e que acho que também tinha predileção por doce de batata-doce, deu uma bicada em um daqueles que estavam expostos sobre a banca. O dono dos doces, injuriado com a cena, esbravejou comigo e minha mãe, com seu sangue de boa descendente de napolitana com catalão, não deixou por menos. Na mesma hora mandou o homem cobrar o doce que havia comprado pra mim e também o outro, que o frango havia bicado.

Nunca mais me esqueci daquela cena. Um fato simples, mas que serviu para colocar aquele homem mal-educado em seu devido lugar.

No caminho de volta pra casa comi meu doce de batata-doce mais do que depressa, antes que o frango crescesse os olhos pra cima dele também. Mesmo porque ele não iria fazer muito proveito, afinal horas depois seu destino seria a panela.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Curintiana

Sou de um tempo em que minha cidade era pacata, provinciana e adorável. Um tempo em que era gostoso viver, poder brincar ou conversar na rua até tarde da noite sem correr o risco de ser atropelado por algum maluco ou mesmo assaltado.

Sou desse tempo. Um tempo em que as pessoas se respeitavam e tinham respeito pelas autoridades.

Os policiais, por exemplo, não precisavam exibir armas ou ligar a sirene do veículo para serem notados. Bastava a simples presença de um deles e a lei naturalmente se fazia.

Lembro bem que a polícia, mesmo sem o contingente e a frota existentes na atualidade, dava conta do recado. O povo era mais pacato, mais respeitador e mais respeitado.

O policiamento consistia em alguns valorosos soldados como o Sargento Lima, o Simão soldado, o Tótero, o cabo Belluomini e, salvo algum lapso de memória, um ou outro menos conhecido. Todos muito respeitados e sabedores dos direitos e deveres de cada um.

Aquele era um tempo folclórico. Tempo em o povo gostava de dar apelidos para tudo e para todos.

E não era diferente com a polícia. Assim como a Banda Lira era conhecida como Furiosa, a dita cuja tinha a alcunha de Curintiana.

Como a ronda era feita em dois carros, se tanto, um Jeep e um Fusca. E, embora o termo fosse jocoso, a policia era conhecida como Curintiana por causa das cores de seus carros, pintados em preto e branco.

Se algum problema mais grave acontecia, bastava ligar na cadeia e lá vinha a Curintiana. E era só ela apontar na esquina para a coisa esfriar, o povo dispersar e a bagunça acabar.

Bem diferente de hoje, um tempo dominado por debilóides que têm por hobby incrementar seus carros com um equipamento de som capaz de derrubar um prédio.
Um tipo de gente que não respeita ninguém e passeia pelas ruas da cidade impunes e exibindo, além da falta de respeito para com as pessoas, um mau gosto musical terrível. Sem contar a falta de respeito com a polícia, que nada pode fazer contra esse bando de malucos.

Fosse no meu tempo de menino magricela de orelhas grandes, bastaria chamar a Curintiana e o problema estaria resolvido. Que saudade daquele tempo que, infelizmente, não volta mais.

Se pudesse, com certeza, nas noites de domingo, quando esse pessoal maluco começasse a desfilar desrespeito, impunidade, mau gosto musical e maus hábitos na rua de casa, eu chamaria a Curintiana e, certamente, tudo seria resolvido. Pena que não é mais assim.


Como seria bom se tudo voltasse a ser como naqueles tempos. Como seria bom poder brincar na rua até mais tarde, ciente de que se algo diferente ocorresse, bastaria ligar e lá vinha a Curintiana.

A quarta série ginasial

Faz tempo que isso não ocorre, mas um tempo atrás eu vivia sonhando que estava nas dependências da escola onde cursei o ginasial e também ...